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Vantagens da terceirização

Publicado em 07 de Aug de 2017 por Giovanna Henriques |COMENTE

Conheça a visão de especialistas sobre a pratica de terceirizar para o mercado.



Texto  Aline Feltrin | Adaptação Giovanna Henriques | Foto Shutterstock

terceirização

Desde que a lei da terceirização irrestrita foi aprovada pela Câmara dos Deputados, iniciou-se diversas polêmicas entre os que apoiam essa medida e os que são contra. A determinação passa a permitir que a função principal de uma empresa seja terceirizada.

Até então, no Brasil era permitido apenas que a atividade-meio, por exemplo, o serviço de segurança de uma fábrica, fosse terceirizada. Ou seja, com a nova lei, uma escola poderá terceirizar a atividade-fim, por exemplo: a contratação de professores, que é a função principal da instituição. De um lado, especialistas dizem que a regulamentação trará ganhos de produtividade e mais segurança jurídica, mas há outros que alegam que este novo cenário aumenta a precarização no mercado de trabalho.

Polêmicas à parte, a pergunta que fica é: Quais são as vantagens que esta lei trará para as micro, pequenas e médias empresas? Uma recente pesquisa realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), entre outubro e novembro de 2016, com mais de seis mil empresários de pequenos negócios para saber o que pensam sobre o assunto mostrou que 41% acreditam que a aprovação da terceirização das atividades-fim abrirá novos mercados junto às médias e grandes empresas. Isso porque metade dos empresários de pequenos negócios afirma ter dificuldade de encontrar mão de obra qualificada.

Para a especialista em gestão empresarial e master coach Andrea Deis, há vantagens bem interessantes em terceirizar a atividade-fim. “Algumas delas são o compartilhamento de responsabilidades, expansão da visão empresarial e maior competitividade e geração de novos formatos de emprego”, pontua.

De acordo com Andrea, a nova lei só vai regulamentar um modelo já praticado, mas ainda não formalizado. Apesar de existirem vantagens em terceirizar, a especialista alerta que antes de tomar essa decisão é preciso que o empresário faça uma análise de valores. “É necessário que ele verifique o que é importante para sua empresa e o que vai ganhar e perder”.

PARA QUÊ E POR QUÊ?

Geralmente a atividade-fim está relacionada ao core business da empresa, aos seus valores e propósitos e por isso é preciso avaliar como manter sua identidade com a terceirização dessa função. “O desafio neste caso é avaliar como a empresa manterá sua identidade com a terceirização e como conseguirá transmitir seus valores principais e ainda manter a qualidade e a ligação com o seu cliente”, avalia Andrea.

A especialista ainda acrescenta que existem algumas situações que não valem a pena terceirizar a atividade fimem PMEs. “Uma delas é quando a empresa não possui processos nem caminhos bem definidos de controle e gerenciamento”, acrescenta. Junta-se a este sinal vermelho quando a imagem da companhia está relacionada com o produto ou serviço que oferece, quando detém muita especificidade técnica ou comportamental ou se está em uma curva de crescimento e posicionamento de espaço no mercado.

De acordo com a especialista, quando não se leva esses sinais em consideração, há grandes chances de a terceirização trazer algumas desvantagens, como perda de know-how e comprometimento da confidencialidade técnica. Também há uma perda da identidade quando a empresa terceirizada não está alinhada com os valores.

ERROS E ACERTOS

Ainda segundo Andrea, os principais erros que uma empresa comete ao terceirizar estão justamente relacionados à perda de seu foco e identidade, a não realizar uma pesquisa prévia de risco e à falta de visão de futuro. “Algumas se enganam ao terceirizar apenas pelo valor monetário e também quando não definem objetivos e regras claras de conduta”, avalia.

Para a advogada Cintia Lima, a regulamentação da terceirização evitará a fraude e impedimentos da aplicação dos preceitos da CLT. “Não podemos esquecer que a situação atual no País muitas vezes leva o empregador a tentar de várias formas burlar as leis, fazendo-o acreditar que está economizando em seus encargos em meio a tantas perdas. Por outro lado, também há o empregado, que não tem expectativas de melhora profissional e de sustento, que por sua vez tenta tirar o máximo de uma situação na qual ele vê vantagens.

Nas circunstâncias atuais, impossível haver chance de diminuição de processos trabalhistas”, acredita. De acordo com ela, o que a lei e as entidades buscam é dar oportunidade do desenvolvimento sob o prisma empresarial e econômico. “A nova lei não limitou o tipo de empresas que pode contratar os serviços de terceirização e por isso as micro e pequenas empresas terão as mesmas vantagens de qualquer outra, podendo assim aprimorar o seu serviço principal”, mostra Cintia.

Revista Gestão & Negócios Ed. 101


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