Newsletter

Cadastre-se e receba todas as novidades

Superação dos desafios: do fracasso ao sucesso

Publicado em 24 de May de 2017 por Giovanna Henriques |COMENTE

Dar a volta por cima é uma tarefa difícil, porém não é impossível. Aprenda como minimizar os efeitos da crise e restaurar o funcionamento do seu negócio



Texto Aline Feltrin | Adaptação Giovanna Henriques | Foto Shutterstock

Quando uma empresa fracassa, o primeiro motivo que vem em mente é o cenário econômico ou a falta de apoio do governo, ou ainda a escassez de crédito. Porém, uma pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP) realizada há dois anos mostrou que esses motivos pouco influenciam. No ranking dos principais motivos de fechamento de uma empresa, o que mais apareceu foi a falta de comportamento de empreendedor. Isso significa que o empresário não ter características básicas e fundamentais para empreender, como persistência, comprometimento e busca por informação, é o que mais influencia para uma empresa não ir adiante. A segunda razão mais apontada foi a falta de planejamento prévio, ou seja, abre-se a empresa sem calcular riscos. Dessa forma, quando se depara com um problema, são tomadas decisões sem estratégias. Em terceiro vem a falta de gestão financeira e de marketing, além da forma de contratar e remunerar a equipe.

A aceitação da queda é o primeiro passo para dar a volta por cima!

LEDO ENGANO

O mentor de pequenas e médias empresas Marcus Marques diz que todo empreendedor ao começar um negócio sonha em ver a sua empresa prosperar e deseja que ela se torne competitiva. Mas, para que isso ocorra, é necessário fugir justamente dos erros que levam ao fracasso. Além disso, alguns equívocos podem ser o motor de arranque para que este carro caia definitivamente no penhasco. Um deles, segundo Marques, é a faltade resiliência. “Entender que as falhas são essenciais para o crescimento de todosos envolvidos nos processos organizacionais, bem como para a evolução daprópria empresa, faz com que esta se torne mais madura diante de seus concorrentes e conquiste resultados positivos no futuro”, argumenta. Saber também os principais motivosque levam uma empresa à falência faz toda a diferença para que o empreendedor seja assertivo na próxima gestão de um negócio – seja qual for o setor –e trabalhe para evitar os mesmos erros. “O certo é analisar como a organização se encontra hoje, e se estiver cometendo algum desses erros, verifique como pode mudar esta realidade e continuar atuante no mercado por muito mais tempo”, indica o mentor. Essas razões contribuem também para endossar as estatísticas. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografiae Estatística (IBGE), de cada dez empresas abertas, seis fecham antes de completar cinco anos. Para o advogado e consultor da Artur Lopes & Associados, Artur Lopes, os erros cometidos são múltiplos, porém, eles poderiam ser evitados pela adoção de indicadores adequados. “A falta deles e a gestão ‘empírica’ são as causas raízes de todas as derrocadas”, acredita.

NO FUNDO DO POÇO

Na opinião de Arthur Lopes, a crise também está instalada em uma empresa quando ocorrem prejuízos sucessivos ou queda acentuada nos lucros; acumulam-se passivos tributários, aumento do endividamento bancário, os fornecedores passam a ser pagos com atraso e os funcionários passam a receber com atraso. Lopes explica que o empreendedor tem que, no mínimo, perceber que é preciso tomar algumas atitudes antes que se chegue a uma situação onde já não é possível fazer mais nada para evitar o fracasso. “A empresa pode, por exemplo, obter capitais novos, alongar o passivo ou diminuir a sua estrutura”, aconselha.

A dimensão desses ajustes, de acordo com ele, exige uma análise. Para certos empresários, a dívida deve ser negociada em 60 meses, para outros, em 30, e para alguns ela sequer pode ser dissolvida por negociação, exigindo, muitas vezes, o requerimento de uma recuperação judicial. Caso todas as tentativas falhem, nada impede uma pessoa de recomeçar. “Recentemente estive com um empresário bem-sucedido atualmente, mas que no passado viveu um insucesso. Ele me contou que não focou nas perdas, e seu fracasso lhe deu experiência necessária para triunfar no futuro”, conta Lopes. Segundo o advogado, a proximidade com a crise nos traz um repertório diferente, e raramente alguém que passou por dificuldades tem um olhar desatento em seus novos empreendimentos.

Certa vez o ator Arnold Schwarzenegger explicou as razões do seu sucesso em seis regras. Uma delas dizia: não tenha medo de falhar. Ou seja, você não pode ficar paralisado pelo medo de errar. No que diz respeito especificamente ao fracasso que se tem em um negócio a regra é muito parecida. A psicóloga Ana Pierrottidiz que esta experiência traz sentimentos e emoções que remetem a depressão, baixa autoestima, e isso impede a pessoa de reconhecer suas potencialidades. “Dar a volta por cima significa desvincular o erro cometido da pessoa que eu sou”, explica. De acordo com Ana, é necessário fazer uma reflexão que aborde quem sou eu de fato, definindo potencialidades, vivências positivas e aprendizagem. “Faliu, não tem mais a empresa, mas mesmo assim você continua a ser a mesma pessoa e com as mesmas qualidades”, motiva e acrescenta que depois de um fracasso a pessoa pode se tornar ainda melhor. “Simples, porque sabe tudo o que não pode fazer. A falência precisa ser encarada como umaprimoramento”, afirma.

EDUQUE-SE SEMPRE

Outra pesquisa realizada pelo Sebrae com 1.846 ex-sócios e proprietários de empresas para revelar os motivos que levaram os negócios ao fechamento mostrou que 39% dos entrevistados não sabiam qual era o capital de giro necessário para abrir a empresa. E não saber controlar o próprio fluxo de caixa é um dos fatores primordiais para decretar falência. Por essa razão, alguns especialistas alertam que depois de ter uma empreitada fracassada o importante é se atentar principalmente à questão das finanças para recomeçar.

“Planejar é a palavra de ordem, e não se aplica somente à iniciativa, mas à administração do negócio como um todo. Dessa forma, é essencial organizar os recursos humanos, materiais e financeiros de modo a garantir que o micro ou o pequeno empreendimento seja tocado com tranquilidade, antecipando possíveis imprevistos”, aconselhao diretor executivo da AssociaçãoBrasileira das Sociedades de Microcrédito (ABSCM), José Benício de Oliveira Neto. Pensar a curto, médio e longo prazo, definir metas, avaliar as alternativas possíveis, monitorar resultados e rever procedimentos, segundo ele, são tarefas que impactam diretamente no sucesso de uma empresa. Para ajudar empresários que desejam aprimorar a sua educação financeira, o Banco Central criou o Programa de Cidadania Financeira que, entre outros serviços, oferece dicas, cursos gratuitos sobre finanças, palestras e treinamentos. O material é didático e pode ser usado gratuitamente pelas organizações ou por pessoas físicas. Outra fonte para buscar conhecimento é a consultoria individualizada para as empresas oferecida pelo Sebrae. Trata-sedo Sebrae Mais Gestão Financeira, que oferece ferramentas gerenciais de como controlar, planejar, analisar e simular informações financeiras para uma tomada de decisão mais eficiente.

Revista Gestão & Negócios Ed. 99


COMENTE