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Hashtags: como usar essa ferramenta que promete divulgar sua empresa?

Publicado em 02 de Jun de 2017 por Giovanna Henriques |COMENTE

Hashtags podem turbinar seu negócio nas redes sociais por meio de campanhas assertivas



Texto Juliana Klein | Adaptação Giovanna Costa | Foto Shutterstock 

Para os mais antigos da internet, que tiveram sua primeira experiência social através do IRC – uma espécie de programa com salas de chat –, sabem bem como as hashtags surgiram.

hashtag


Elas eram um comando básico para se referir às salas de chat ou grupo de assunto em uma mensagem. Na época já tinha o propósito de organizar as informações e os assuntos, além de otimizar as pesquisas. Agora essa ferramenta vem sendo utilizada pelos sites de fotos, microblogs e, principalmente, pelas redes sociais. A denominação hashtag foi dada por Chris Messina, um dos criadores do Twitter, quando propôs o uso da hashtag para agrupar tweets com conteúdo semelhante e assim “ouvir” o que as pessoas diziam no microblog.
Segundo o fundador da mLabs e especialista em marketing digital, Rafael Kiso, essa cultura de uso das hashtags se tornou tão relevante hoje que é utilizada para representar bandeiras, protestos e causas. Tem facilitado também a busca, representação e organização na comunicação. “Através delas é fácil saber o que está acontecendo em um evento, opiniões sobre um programa de televisão, entre outros assuntos que estão acontecendo em tempo real”, afirma.

O programa Masterchef do Brasil é um exemplo da relevância em tempo real, pois mostra as opiniões das pessoas que assistem ao programa através da hashtag #masterchefbr. “Outro fator atual é que as hashtags têm sido utilizadas pelas mídias sociais como forma de humor, representando afirmações ou pensamentos adicionais às mensagens. Acontece muito mais no Facebook do que nas outras redes”, expõe Kiso. Ele diz que a maior parte das empresas, no entanto, ainda não percebeu a vantagem de utilizar esse recurso. Mas aquelas que entenderam que podem utilizar a seu favor, descobriram na época do lançamento dos trending topics do Twitter. “Diversas marcas criaram campanhas e estimularam o uso de hashtags para entrar no ranking dos assuntos mais falados, fazendo assim com que a mídia social espalhasse ainda mais a mensagem. Até mesmo a #somostodosmacacos foi arquitetado por uma agência, usando Neymar como ativador”, conta o especialista.

#SEUNEGÓCIO

A master coach Renata Valéria Lopes diz que utilizar as hashtags nas redes sociais da sua empresa é uma maneira bem-humorada de dar sua mensagem de forma condensada e aumentar a visibilidade dos seus conteúdos. “Ainda na sua origem nos tempos dos chats, o #nomedocanal nos ajudava a localizar a fonte da informação. Hoje, quando um negócio lançau ma campanha e pensa em dar a ela um toque de humor ou ironia ao mesmo tempo em que quer contextualizar sobre um assunto com diferentes materiais e permitir que ainda assim eles se relacionem, ela lança uma hashtag. São as chamadas ‘armas publicitárias’”, informa. Rafael Kiso avalia, no entanto, que, assim como nos buscadores, as empresas precisam estar bem posicionadas nos resultados; com as hashtags não é diferente.

“Esquecemos que existe busca além do Google. Há um buscador também dentro do Twitter e do Instagram. Portanto, as marcas precisam estar bem posicionadas também nos resultados dessas buscas”, afirma. O Instagram, por exemplo, só faz buscas com base em hashtags ou nome de usuários. Esse canal é a segunda maior rede social depois do Facebook, e os usuários a utilizam muito para descobrir novas coisas através das hashtags.
Caso uma marca use uma estratégia adequada baseada em hashtags, ela será mais descoberta por potenciais consumidores. Um exemplo que Kiso mostra é uma marca de roupas específica para quem é triatleta, que pode usar as hashtags #triatleta e #triathlon em seus posts, para ser descoberta por pessoas interessadas nesses assuntos e consequentemente vender mais produtos. Em relação à contraindicação para a sua utilização, o fundador da mLabs diz que não existe. “No Instagram, quanto mais hashtags melhor. Mais provável de aquele conteúdo/marca ser descoberto. No Twitter há limitações, portanto é bom escolher bem aquela hashtag que melhor represente o contexto e conteúdo, pensando sempre nas mais usadas pelarede”, afirma, dizendo que o efeito só pode ser negativo caso alguma marca queira surfar em uma hashtag representante de uma causa, sem ter algo relevante a contribuir. “Estar lá somente para aparecer. Isso é condenável, e as mídias sociais não perdoarão”, completa.


O CEO da Economídia, Luis FernandoKlava, endossa e diz ainda que é preciso dosar e ficar atento ao que acontece, e o ideal é evitar assuntos polêmicos. “Também é importante que ouso da hashtag esteja alinhado aos valores e crenças da marca e ao material da campanha. Não dá para uma marca utilizar uma hashtag que não tenha nada a ver com a sua campanha, ou simplesmenteseguir a moda”, aponta. Um exemplo é o que aconteceu recentemente com a Prefeitura de São Paulo e virou notícia em diversos jornais. O intuito era estimular os foliões a não entrarem (nem alimentarem) em discussões durante os dias de festa, mas, ao usar a hashtag #carnavalsemassedio em um post com uma imagem que fazia menção a um meme, com o termo “deixa pra lá”, as mensagens ficaram controversas e os internautas não perdoaram.


#CRIE OU ENTRE NA ONDA

Existem dois caminhos para uma empresa utilizar as hashtags nas suas campanhas. O primeiro é trabalhar com termos que já estão sendo utilizados na rede. O segundo é criar uma hashtag exclusiva para a campanha, o que ajudará a reforçar a mensagem a ser transmitida, ampliar a visibilidade e o compartilhamento. “No primeiro caso é preciso fazer uma pesquisa das hashtags mais populares e os termos que estão bombando entre usuários para usá-los de maneira assertiva”, recomenda Klava. Rafael Kiso aconselha a primeiro listar quais são as hashtags mais importantes e comuns para o seu negócio, levando em consideração os pilares do segmento de atuação. Para o turismo, por exemplo, os pilares são: destino, entorno, momento, ação e posicionamento. “É importante pesquisar as hashtags mais usadas em cada pilar, sendo que para o pilar de posicionamento você terá que criar suas próprias hashtags. Apps como o LetsTag ajudam muito nessa tarefa”, coloca. De acordo com ele, todos os conteúdos publicados devem conter pelo menos uma hashtag de cada pilar. Essa é a regra básica. Levando em consideração o turismo como exemplo, um resort de luxo pode criar um conteúdo e representá-lo usando #Bahia #Itacare #praia #romantico#spa #luxuryresort #luxodasimplicidade. Ou seja, duas hashtags de destino, uma de entorno, uma de momento, uma de ação e duas de posicionamento, respectivamente.


“Outra dica importante é usar hashtags em inglês, pois mesmo aqui no Brasil, as pessoas costumam usá-las com frequência”, completa o especialista em marketing digital. Fernando Klava da Economídia enfatiza ainda que ao criar uma hashtag nova é importante considerar que: deve ser curta e simples e que o uso da marca não é obrigatório. “Algumas expressões, assinaturas ou slogans já estão tão alinhadas à marca que só elas já dizem tudo, porexemplo, a #1001utilidades do Bombril ou a #amomuitotudoisso do Mc Donalds. Não é preciso dizer a marca para entender a referência”, explica.


#GRANDES ERROS

Para eventos próprios, o especialista em marketing digital Rafael Kiso diz que vale criar suas próprias hashtags, sendo recomendado usar a mesma para todas as redes sociais. “A dica mais valiosa é divulgar a hashtag do evento através de banners físicos, projeções, anúncios no microfone, etc. Parece básico, mas ainda se peca muito nessa premissa”, alerta.
No Instagram, ele diz que o erro mais comum é achar que irá inundar o feed das pessoas colocando muitas hashtags nos posts. Mas é bom lembrar que as hashtags são mais importantes para os algoritmos e buscadores do que para os humanos, portanto, ao criar o texto do post, pule três linhas colocando “.” antesde colocar todas as hashtags. Algo como:
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#hashtags

Dessa forma, as hashtags não ficarão aparentes para as pessoas, somente paraos robôs!

“Já no Twitter, o erro é não colocar hashtags por ter pouco espaço de texto. Isso impede que aquele post entre nos assuntos e seja descoberto”, mostra Kiso. Renata Valéria reforça que utilizar muitas hashtags ao mesmo tempo e principalmente as mesmas por longos períodos também não é indicado. “Recomendo estudar e mudar periodicamente. A velocidade com que as mudanças ocorrem nas redes sociais não nos permite insistir sempre no mesmo”, adverte.


RESULTADOS

Como a empresa pode mensurar se o uso das hashtags está dando resultados? Renata Valéria Lopes responde que pelo aumento no número de conexões, ou seja usuários interessados no seu conteúdo. “E mesmo que não gere novos seguidores, as hashtags ajudam o material a alcançar outras pessoas que nem conhecem a sua empresa pela interligação de uso das hashtags”, avalia. O maior indicador, porém, está no aumento das vendas. Então é colocar uma campanha no ar com as hashtags definidas pela área de marketing e ficar atento nos fechamentos da área comercial. Fernando Klava diz ainda que, ao consultar a hashtag nas redes sociais, será possível visualizar todas as publicações em que elas foram utilizadas. “Para uma análise mais completa, existem diversas ferramentas, algumas até gratuitas, que darão informações como: usuários mais influentes que usam a hashtag, número de posts, localização, gênero, etc.”, informa. Com esses dados, a empresa conseguirá saber se a hashtag está sendo usada por seu público-alvo e fazer os eventuais ajustes necessários nas campanhas. Kiso indica, por exemplo, a mLabs, que é uma plataforma de gestão de redes sociais e consegue mensurar o engajamento em torno dos conteúdos no Facebook, Instagram e Twitter de maneira simples, sendo as duas últimas redes mais pautadas por hashtags. “Mas, nessas redes, o resultado é também sentido no número de seguidores, engajamento e aumento expressivo de contatos via mensagens diretas ou comentários”, conclui.


FIQUE SABENDO
O Facebook é a única rede que não conseguiu fazer vingar as hashtags e se utilizar disso em seu favor para o algoritmo. Ele até permite o uso das hashtags como as outras redes, agrupando assuntos e facilitando as buscas, mas não virou um aliado das marcas. Ali o que impera é um bom conteúdo que viralize e seja minimamente impulsionado com mídia para ampliar os resultados.


Revista Gestão & Negócios Ed. 99


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