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Devo fazer parte da "panelinha" para ser promovido?

Publicado em 07 de Jun de 2017 por Giovanna Henriques |COMENTE

Saiba a diferença entre manter um bom relacionamento e ser puxa-saco



Texto Daniela do Lago | Adaptação Giovanna Henriques | Foto Shutterstock

Você já se sentiu prejudicado em uma promoção? Aquela vaga tinha tudo para ser sua, mas na “hora H” o escolhido foi outr apessoa que nem tinha as competências necessárias para o cargo, porém fazia parte da panelinha do chefe. É fato que na escalada para o topo da pirâmide na empresa, há profissionais extrapolando nos relacionamentos e se especializam na formação de “panelas corporativas”, que têm capacidade de cozinhar alianças que apoiarão seus propósitos e até fritar quem estiver atrapalhando o caminho.

Relacionar-se bem é crucial para seu sucesso na escalada profissional. Mas o artigo é destinado para os trabalhadores que carregam o piano e ralam muito para atingir resultados que lhes são propostos e ficam se perguntando: Será que posso crescer na empresa sem fazer parte da panelinha? A resposta é: depende da empresa onde trabalha! Desculpe se decepcionei, mas as empresas são diferentes e, assim como existem as que escolhem suas promoções com base na meritocracia e nos resultados, existem aquelas que escolhem pautadas nos “queridinhos da panela”.

panelinha

Como saber se na minha empresa a panelinha é importante?
Uma dica é checar se existe alguma avaliação por desempenho, qualquer ferramenta que comprove seus resultados, se não existe nenhuma para medir seu trabalho, então saiba que o que prevalece nas decisões são as competências interpessoais, como nossa capacidade de trabalhar em equipe, de influenciar, negociar, ouvir, usar de tato e empatia, bem como as competências intrapessoais, como o controle emocional, a capacidadede criar e inovar, o respeito a regras. É nesse caso que fica complicado conseguir qualquer promoção na empresa baseando-se nos resultados que alcança, pois não são apenas as competências técnicas e funcionais relacionadas aos negócios que são importantes. Sou a favor da meritocracia, em que, comprovando seus resultados, as promoções ficam transparentes, mas em um país como o Brasil, em que as relações muitas vezes são mais importantes que a própria competência, nem sempre quem trabalha mais será recompensado, então para ser promovido você terá que desenvolver essas habilidades inter e intrapessoais. Se relacionarbem é muito importante, mas pautarsua carreira e ascensão profissional somentenos relacionamentos pode serperigoso, pois seu crescimento não sesustenta a longo prazo.

 

Não confunda bom relacionamentocom amizade.
Relacionar-se bem indica respeitar o próximo com suas diferenças. Existe uma confusão entre afinidade e amizade. A maioria dos profissionais tem afinidades no trabalho, afinal convivem mais de dez horas todos os dias em um mesmo ambiente. Mas saiba que é muito raro construir amizade; se você conseguiu, considere-se um sortudo! Nós amamos nossos amigos porque os escolhemos, mas na empresa a maioria das pessoas não escolhe quem irá trabalhar ao seu lado, e é aí que mora essa sutileza vital para o sucesso na empresa. Portanto, é possível se relacionar muito bem com aquele profissional de quem não gosta nem o teria como amigo, pois é o respeito que deve prevalecer.

 

Não confunda bom relacionamento com puxa-saquismo.
O puxa-saco é aquele bajulador clássico no ambiente corporativo: classifica as pessoas por cargos, está sempre pronto a elogiar o chefe, de forma discreta ou escancaradamente, e se aproveita dessa prática para manter a segurança que precisa a fim de permanecer empregado. É o politiqueiro, aquele que tende a concordar cegamente,esquecer princípios técnicos, profissionaise até lógicos, visando ficar bem na foto ao lado dos detentores do poder sobre sua carreira. Uma omissão aqui, uma meia verdade ali, um elogio falso acolá e, de repente, essas pessoas acabam construindo suas carreiras com alicerce fraco e frágil.

 

Posso sobreviver nas organizaçõessem fazer parte de nenhumapanela?
Se não entram na panela, vão para a geladeira e mais frequentemente para a frigideira; se entram, até podem conseguir bons resultados a curto prazo, mas é difícil se manter a longo prazo na carreira. Panelinhas existirão em todos os lugares. Essa é a escolha que cada um deve fazer e, como todas as demais, ela traz ônus e bônus. Faça uma análise sobre o tipo de empresa em que está trabalhando e quais são as regras do jogo vigentes nela. O que mantém qualquer profissionalpor mais tempo no jogo corporativoainda é a comprovação de bons resultados. O que sempre prevalecerá serão seus princípios éticos, aliados às competências profissionais e habilidadede relacionamento. Essa junção irá apoiar o crescimento de sua carreira alongo prazo.

Revista Gestão & Negócios Ed.99


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