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Como o estresse pode se tornar um problema

Publicado em 08 de Jun de 2017 por Giovanna Henriques |COMENTE

Não tem jeito. Estresse todos nós passamos, mas chega um momento que ele pode desencadear problemas seríssimos à sua saúde, descubra como



Texto Juliana Klein | Adaptação Giovanna Henriques | Foto Shutterstock

O estresse já parece inevitáve le faz parte do dia a dia em um mundo cada vez mais competitivo, corriqueiro, desencorajador, saturante, angustiante, penoso, atormentado… ufa! Se você se sente assim, é bom rever sua vida, pois pode estar sofrendo de um mal chamado “Síndrome de Burnout”. Já ouviu falar?

A síndrome de burnout é um distúrbio psíquico descrito em 1974 por um médico americano, Freudenberger. O transtorno está registrado no Grupo V da CID-10 (Classificação Estatística Internacionalde Doenças e Problemas Relacionadosà Saúde). Segundo a Headhunter, Executive & Positive Coach e sócia-diretora da Consultants Group by Tegon – consultoria especializada em Recrutamento, Seleção, Outplacement e Recolocação de Executivos–, Luciana Tegon, algumas profissões ainda estão mais propensas a desenvolver essa síndrome, como profissionais das áreas de educação, saúde, assistência social, recursos humanos, agentes penitenciários, bombeiros, policiais e mulheres que enfrentam dupla jornada. Seu nome vem da expressão em inglês “burn out”, traduzido literalmente para o português como “queimar-se todo”!

Podemos também dizer que é o velho e simples esgotamento, de acordo com a psiquiatra e escritora Sofia Bauer.“Exatamente porque o sentimento e as sensações são de ter ‘queimado o pavio’. Um cansaço enorme, fadiga, falta de disposição, mente cansada, memória falha, sem desejo ou vontade de fazer o que antes fazia. Sem energia”, afirma. Mas não quer dizer que esta síndrome esteja relacionada apenas a se esgotar no trabalho – que é uma característica muito comum em quem sofre de esgotamento por trabalhar horas a fio. “Não é a única causa. Temos outros vilões, como o desgaste diante da falta de dinheiro– muito comum em nossos dias de crise no Brasil.

Bem como o fato de um parente estar muito doente ou desempregado. Qualquer sofrimento mental que ocupe a sua mente pode ser a causa. Ou o desgaste físico por falta de sono e cansaço acumulado. Daí o nome esgotamento”, explica ela.

estresse

 

ETIQUETA CORPORATIVA ESTRESSE

“Este esgotamento gera faltas constantes ao trabalho, episódios de agressividade, tendência ao isolamento, mudanças bruscas de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória, ansiedade, depressão [...] ”Luciana Tegon, Headhunter, Executive & Positive Coach e Sócia-Diretora da Consultants Group by Tegon

PERDENDO O CONTROLE

O que vem acontecendo nos últimos anos com nosso tempo? Quase 24 horas “plugados” na internet, no WhatsApp, etc. Por isso, empresários, gerentes, chefes de equipe e outros que ficam no controle de um negócio ou empresa têm se visto em estado de profundo esgotamento. “Eles não dormem nem descansam mais! O ser humano não foi programado para ficar atento tanto tempo. Necessita de momentosde silêncio, de recuperação, de sono e de paz para o corpo e a mente. E estamos na era do ligado em tudo. Algo acontece do outro lado do mundo e ficamos sabendo imediatamente. Quem descansa? Nem as crianças!”, avalia Sofia. Segundo a psiquiatra, somos humanos e precisamos de um tempo de recuperaçãoe descanso. “E se não damos o merecido descanso à nossa mente e ao nosso corpo, pagamos um preço muito caro. Francis Bacon disse: ‘a natureza foi feita para ser obedecida…’”, reflete.

Luciana Tegon reforça que por esse motivo a síndrome pode afetar de diversas formas, mas em regra se manifesta como um esgotamento que pode ser físico, mental e emocional do executivo. “Este esgotamento gera faltas constantes ao trabalho, episódios de agressividade, tendência ao isolamento, mudanças bruscas de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória, ansiedade, depressão, tendência exagerada ao pessimismo, baixa autoestima, entre outros sintomas, como dores de cabeça, problemas gástricos e respiratórios”, alerta. A pessoa afetada pode ainda deixar de cumprir suas metas, ser mais irritada com seus funcionários, deixar passar oportunidades de negócio e por aí vai. “E sua convivência vai se tornando ruim diante dos colegas da empresa. Deixa de ser empático, de enxergar os problemas dos seus funcionários. E um bom chefe é aquele que vê a demanda de seus subordinados, compreende e ajuda a equipe a estar forte e feliz trabalhando por ele. Mas imagine o chefe do bando desanimado? A turma toda fica à deriva sem ter um comando amoroso e forte na frente de batalha”, ilustra Sofia.

ATENTE-SE AOS SINAIS

Além dos problemas já citados pelas especialistas, sensações de esgotamento físico e emocional, comportamento negativo, fatalista, dores de cabeça, sudorese, aceleração dos batimentos cardíacos, dores musculares, pressão alta, insônia e distúrbios alimentares são outros sinais de que uma pessoa está desenvolvendo essa síndrome. “No ambiente de trabalho é importante que o profissional seja diagnosticado e tratado com medicação, terapia e reconstituição de uma rotina saudável, pois o burnout pode trazer consequências e doenças mais graves em médio prazo”, alerta Luciana Tegon.

De acordo com a psiquiatra Sofia, a pessoa ainda vai reclamar que não está com vontade de ir trabalhar. Que está menos criativa, que quer férias e sonha com elas. E seu corpo ficará mais cansado à toa. “Uma sensação de falta de descanso, brancos na mente, irritabilidade, choro solto, tristeza são os principais sintomas. Algumas vezes, pode vir com ataques de ansiedade também”, completa. Ou seja, a partir do momento quese percebe que algo não vai bem, está desconcentrado, desmotivado, sempre buscando uma forma de não estar no trabalho ou manobras que o afastem do ambiente que está causando o estresse, são grandes sinais sem dúvida, na opinião de Luciana Tegon, que a pessoa está sendo afetada por essa doença. E deve procurar ajuda.

Percebe-se também através de comportamentos incomuns que a pessoa começa a apresentar o famoso “pavio curto”, seguido de reações emocionais incomuns, dificuldade para organizar-se e planejar o trabalho e sintomas físicos como dores e indisposições.

AFASTE O “MAL”

Ter uma vida equilibrada e hábitos saudáveis é a chave para evitar as síndromes da modernidade. O mundo está muito acelerado, estamos na era da hiperconectividade, somos superestimulados o tempo todo e este cenário contribui para negligenciarmos algunsas pectos muito importantes da nossa vida, como o cuidado com a saúde, bons hábitos de alimentação, sono, atividade física, reservarmos tempo para nossos hobbies, amigos e família. “Viver no modo ‘automático’ é sem dúvida a porta de entrada para diversos males”, alerta a headhunter Luciana. Por esse motivo, inclusive, Sofia Bauer acredita que um bom chefe ou empresário deve se cuidar.

E quando falamos em se cuidar, começa por dormir pelo menos meia hora mais cedo. “Se desligar das redes sociais e dos e-mails por mais tempo. Ter um horário fixo de ver e-mails para não perder tempo. Trabalhar em sua melhor hora, no pico do seu rendimento. Tirar um horário de folga para fazer alguma coisa que lhe seja muito gostosa. Nem que sejam dez minutos no dia”, recomenda.

Falando mais sério, ela aconselha ainda meditar ou fazer ioga! “Assim, esvazia a mente cheia, ficando mais criativo. Mesmo que seja passeando ao ar livre, no parque da cidade”, indica e completa que deve manter-se sempre fazendo exercícios físicos de leve intensidade e com prazer. Outra recomendação é comer mais saudavelmente. Ter horas livres em seu fim de semana para fazer seu hobby preferido ou gastar tempo com seus relacionamentos. Brincar e sorrir mais. “Não falei nenhuma novidade, mas as pessoas não estão garantindo sua saúde física e mental. Esquecem que exatamente nos esgotando de trabalho, podemos perder a coisa que nos é mais preciosa, nossa saúde! Por isso, fiquem atentos, agradeçam mais às pequenas coisas, como poder enxergar, andar, beber água, ter familiares, se divertir em um passeio na praia ou no campo”, reforça a psiquiatra.

MAIS É MENOS

A psiquiatra Sofia Bauer faz ainda uma análise pedindo que o leitor reflita melhor e veja que se seguir apenas a corrida dos ratos e sair correndo atrás do dinheiro, do querer só bater metas, ganhar mais, ter aquela promoção, pode se esquecer de um valioso bem já dito aqui: a sua saúde. “Em termos de moeda final, o prejuízo de adotar a corrida dos ratos em nossa vida é terrível. A vida é muito curta para corrermos tanto para alcançar o ‘tal cume’ daquilo que planejamos – e, com isso, nem admiramos a jornada”, pontua.

Precisamos aprender, segundo ela, que se não seguirmos nossa natureza, ela irá trazer o descanso à força em forma de dor de cabeça, doenças autoimunes, alergias, etc. Pois é a nossa natureza que nos comanda. E você cai de cama, fica sem vontade de nada e pode chegar a um quadro depressivo ou até a uma doença grave. “Não podemos ficar correndo atrás de só termos um monte de coisas boas. Quantidade afeta a qualidade. O que precisamos fazer, se quisermos ter uma vida mais feliz, é menos no lugar de mais, sim”, repete. Isso parece mais fácil de falar do que de fazer. Mas, segundo ela, é possível. Ela não está falando de levar nada aos extremos. Basta inserir as mudanças aos poucos.

Pequenas mudanças podem afetar nossa vida como um todo. “Muita gente mede sua própria autoestima pelo tanto que produz. Muito natural. O que não é natural é dar sua vida pelo trabalho – seja ajudando pessoas ou fazendo seu serviço profissional. A moeda final será sempre a mesma: desgaste pessoal, desânimo e, depois, depressão”, enfatiza. Assim, aquilo que em um primeiro momento parece maravilhoso e nos engana como se fosse gerar prazer ao fim da jornada, pelo contrário, acaba trazendo desgaste emocional e físico –e tudo fica pior no final. Muitos ficam com compulsão pelo trabalho ou por ajudar pessoas e se esquecem de que seu próprio cuidado é sua melhor poupança e benefício imediato.

O importante então é curtir a jornada. Não só trabalhar, mas ter descanso, tempo de recuperação, aproveitar enquanto se faz alguma coisa e ainda seguir seu propósito de vida. “Quem sabe você vai pensar nisso agora? Em uma vida com mais bem-estar. Na sua melhor hora, com pausas maiores, e saindo mais cedo do trabalho e não só tarde da noite?! Trabalhar em alguma coisa que possa unir seu prazer à sua habilidade e que também possa trazer um significado para sua vida. Isso sim nos dá prazer, mesmo que o trabalho seja duro. Portanto, a melhor dica para não ter a síndrome de burnout: O menos que faz mais…”, conclui.

Revista Gestão & Negócios Ed.99


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